segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A cor do pecado


É engraçado como conceito do que é bonito ou feio tem muito a ver com referências gerais e pessoais de comportamento. O determinismo do século XVIII tem muita influência nisso. Nele a filosofia rasa e conservadora, que diz basicamente que as coisas são como são e não poderiam ser mudadas. Foi usada como pretexto para justificar ações políticas, uniões através do casamentos, (des)interesse em explorar novas terras, escravidão dos negros. Casamento servia para união de fortunas, permanência de status absolutos e afins. Da exploração de novas terras, manutenção e elevação do nível social e de influência na população sob a condição de massa de manobra. E a escravidão negreira foi justificada por uma suposta inferioridade da raça. Há de se considerar que escravidão sempre existiu de um povo com um exército de maior força para o de menor força, desde o surgimento das sociedades. A diferença nesse caso é que os africanos eram um povo rico e com terra rica em metais valiosos na época, que caíram na armadilha da guerra, mas que não está relacionado com cor da pele ou retórica genética.



Já que o casamento era uma relação de status, é possível que isso tenha sido a causa principal para uma relação baseada em interesses. O pudor e a subserviência ao marido servia como a retórica de Aristóteles para manter a ordem patriarcal, enquanto prostitutas e escravas eram vistas como quentes e despudoradas permissivas ou no caso das escravas que se estabelecia uma relação de domínio, poder e posse. O continente africano passou a ser alvo de tráfico de pessoas como negócio, no século XV. Com isso se estabeleceu a postura masculina de mulher para casar e mulher para se divertir, exercendo poder e influência sobre elas. Sendo o estilo europeu como aquela em que se deve mostrar a sociedade e enquanto negras principalmente como fonte de prazer, sem que fosse assumido uma relação do social de igualdade. Daí, o pecado. A questão não é nem essa ideia de mulher para casar/curtir, mas a referência por trás dessa escolha. Evitar a mistura de classes sociais diferentes. O quanto o determinismo influencia nessas escolhas? Mulheres conservadoras costumam agir com muita violência pra assegurar seu status, enquanto atribui à cor da pela, a profanação a cobiça e ganância tratando como ambição por ascensão social. A medida que o patriarcado é justificado. Como essas relações se constroem, em nome do amor ( ou do prazer) é um território muito confuso e cheio de embaraços.



Abaixo da percepção comum, existe a construção individual dos seus gostos, que de uma forma ou de outra é afetada pelo que costuma acontecer a nossa volta. Por exemplo, pense no que você gostaria de fazer que é diferente do que você faz. A sua percepção sobre o outro define como você o trata. Se você o considera uma figura inferior a você , invariavelmente o tratamento dedicado a essa pessoa será diferente. Como na relação determinista quanto a mulher considerada para se divertir, é a ideia de posse que predomina. O que se reflete na intenção de projetar na mulher o desejo de  manter ela a sua disposição. Nesse caso o homem não contempla e nem valoriza a vontade da mulher, além dos seus próprios desejos. E o que dizer sobre os diferentes tratamentos no privado e no público, exigências infundadas e xingamentos? O quão comum é atribuir a um tipo como amante apenas por existir? O quão um certo tipo de beleza é permitido em um determinado círculo de amizade? A mulher com o motor do desejo se torna nula e objetificada.




As referências pessoais são todas as aquelas que a gente atribui a um padrão de comportamento. Existem perfis de rosto que que atraem enquanto outros não permitem dar confiança qualquer , a primeira vista, porque no passado alguém com traços parecidos teve uma postura similar aliado a uma experiência ruim. Assim como alguns comportamentos, de pessoas estranhas ,podem nos impedir de se aproximar por questões de aparência física ou por padrão de comportamento. Essa é uma experimentação baseado na vivência individual. Da mesma forma a percepção coletiva é baseado no hábito, de determinar o que é beleza, do que é desejo, do que é sexo e do que é se relacionar com outro indivíduo. Nesse caso é uma construção coletiva de uma época.


Há muito o que se dizer sobre como o determinismo está presente em nossas vidas, sobre comportamento e beleza em várias vertentes mas hoje o objetivo mesmo é gerar a jurisprudência na cabeça de vocês pra provocar a reflexão sobre o que é bonito, o que é desejável, a partir da ótica de como esperamos tratar e ser tratos pelos outros daqui pra frente. E isso só com o exemplo de mulheres para quebrar paradigmas.