sexta-feira, 14 de maio de 2021

A origem do poder

 


Digamos que você tenha um vizinho violento. Com medo de que ele invada sua casa em um ato de fúria queira ferir alguém ou roube seus pertences. O que você faria? Uma opção seria reunir com os síndicos e criar regras contra qualquer ato que invada a privacidade do outro, modos de punir caso aconteça e que coíbam qualquer intenção de fazer. 

Digamos, em uma conjectura livre, que Hamurabi ( descrito no texto interior) , estava preocupado por ser um país isolado e decidiu fazer alianças com os países vizinhos , para evitar que outros povos como , por exemplo , os espartanos invadissem seu território.


Existiram três formas ao longo da história , que definiram como as estruturas de poder foram formadas. A primeira foi pelo acúmulo de propriedades que consequentemente foram pessoas com poder de barganha ; a segunda foi a hereditariedade que é como o poder se perpetua ; e a terceira é o caráter politeísta de que a capacidade de governar é dada por deus ou deuses através de dons ou presentes.


Foi o que Hamurabi fez, unindo toda região através de um ordenamento jurídico, em escritos gravados em pedra como uma ordenação entregue pela entidade o deus sol e distribuindo vários modelos em toda região que o seu território alcançava. Diz o prólogo na pedra:


PRÓLOGO _ "Quando o alto Anu, Rei de Anunaki e Bel, Senhor da Terra dos Céus, determinador dos destinos do mundo, entregou o governo de toda humanidade a Marduk... quando foi pronunciado o alto nome da Babilônia; quando ele a fez famosa no mundo e nela estabeleceu um duradouro reino cujos alicerces tinham a firmeza do céu e da terra - por esse tempo de Anu e Bel me chamaram, a mim, Hamurabi, o excelso príncipe, o adorador dos deuses, para implantar a justiça na terra, para destruir os maus e o mal, para prevenir a opressão do fraco pelo forte... para iluminar o mundo e propiciar o bem-estar do povo.

Hamurabi, governador escolhido por Bel, sou eu, eu o que trouxe a abundância à terra; o que fez obra completa para Nippur e Durilu; o que deu vida à cidade de Uruk; o que supriu água com abundância aos seus habitantes;... o que tornou bela a cidade de Borsippa;... o que enceleirou grãos para a poderosa Urash;... o que ajudou o povo em tempo de necessidade; o que estabeleceu a segurança na Babilônia; o governador do povo,

EPÍLOGO

"As justas leis que Hamurabi, o sábio rei, estabeleceu e (com as quais) deu base estável ao governo ... Eu sou o governador guardião ... Em meu seio trago o povo das terras de Sumer e Acad; ... em minha sabedoria eu os refreio, para que o forte não oprima o fraco e para que seja feita justiça à viúva e ao órfão ... Que cada homem oprimido compareça diante de mim, como rei que sou da justiça. ( ...)

Possa ele folgar o coração (exclamando) "Hamurabi é na verdade como um pai para o seu povo; ... estabeleceu a prosperidade para sempre e deu um governo puro à terra. Suas margens de ambos os lados eu as transformei em campos de cultura; amontoei montes de grãos, provi todas as terras de água que não falha ... O povo disperso se reuniu; dei-lhe pastagens em abundância e o estabeleci em pacíficas moradias"


A partir desse trecho, é possível entender ao ser nomeado pela entidade e se comprometer com a justiça e o bem estar do povo, está atraindo para si uma certa complacência da população à se submeter aos seus preceitos e liderança. Da mesma forma que impede que a sucessão do trono seja marcada por irregularidades e traições, garante aos vizinhos que neste lugar a lei é sem misericórdia. A ele pertence o poder de liderar, carregando consigo a capacidade de tomar decisões, pelo todo. Se na sociedade Espartana , isso era imposto pela força em um modelo de disciplina, dessa vez o governo se torna simpático à aprovação do povo, garantindo que a sobrevivência deles seja preservada.


Então o ciclo do poder se completa: Alianças fortes, aceitação popular e um ordenamento jurídico que reflete a organização governamental da sociedade, por princípios.

O jogo começa.